Segundo mês do ano, Fevereiro sofre de um distúrbio de existência, uma vez que ele não tem dias suficiente para ser um mês inteiro e de quatro em quatro anos tem um dia a mais.
Terminando o expediente hoje sou alguém livre. Não sei se a idéia me agrada ou me aterroriza.
Mais um ano sentada na frente da tv ignorando os silicones rebolantes ou vestir um pano colorido qualquer e cair na folia?
É 2007, e finalmente, optei pela segunda. A poeira da estante de livros continuará por lá, incólume. A televisão, desligada. (Essa, particularmente, foi a parte da idéia que mais me agradou!)
Graças a cinco pessoas que não tinham o que fazer e juraram a si mesmas me tirar de casa este feriado, meu Dr. Zhivago esperará mais alguns dias para sair da página 212.
Mas por que escrever isso?
Confesso! Por um dia este blog tem a corriqueira função do desabafo. Estou em pânico!
Vou entrar em meu apartamento e ver uma mala aberta sobre a cama. Vou sentar ao lado dela, olhar o espelho, a estante, as gavetas... "O que se leva para um carnaval?"
Vou procurar qualquer coisa que me lembre roupa-de-ficar-em-casa-vendo-tv e a guerreira calça jeans, afinal, nunca se sabe.
Dr. Zhivago não vai. Não sei se ele aguentaria a guerra, o frio da Rússia e uma baiana qualquer se esgoelando num trio que só faz barulho. Acho que para ele já basta a polícia russa em seu encalço. Não piorarei as coisas.
No mp3 player, artigos de primeira necessidade, provavelmente eles farão com que eu volte inteira na 4ª feira de Cinzas (que nunca me pareceu tão reconfortante!). Aqui do trabalho já calculo a playlist, a primeira música: Einstein on the beach.
"The world begins to disappear
The worst things come from inside here
And all the king's men reappear
For an eggman, on and off the wall
Who'll never be together again"
Sim, meu mundo começará a desaparecer quando eu embarcar nessa viagem maluca (o que não fazemos pelos amigos?), só espero que as piores coisas não saiam de mim depois de tudo, afinal, não sei se o Dr. Zhivago toparia uma leitora que cantarola Ivete Sangalo enquanto lê, desinteressadamente, um médico enfrentar a guerra e a vida.
A você: Feliz Carnaval! (Se é que isso existe...)